O meu corpo tem sido um espelho reflectido do sol: raios de sol. Gosto disso. Espalhar os meus átomos pela relva dos parques, raspar o pés nas flores [poor things] e cegar-me de tanto sol no meu campo de visão. Tem sido assim: o fary e os meus flatmates acompanham-me nesta Primavera, a par da Saramago, do João e da Ana, da Andréia, enfim, dos meus amigos de London Calling e mais os amigos dos amigos =) ... A semana passada, eu, o fary e os flatmates fomos para a casa do professor do Mike, em Elephant and Castle para "tomar conta" dos filhos-adolescentes, enquanto os pais relaxavam a sul de Londres. Acho que foram mais os miúdos a tomar conta de nós! Eu e o fary chegámos em primeiro lugar [já tínhamos espreitado uma exposição no British Museum] ao mini-palácio do Mike's teacher: a casa é enorme, ex-propriedade de um padre local, sediada junto a uma igreja. Como ninguém estava na casa, decidimos passear pelo parque, tirar fotografias, e esbarramos com um café (imagine-se!) na cave da própria igreja. Entramos:
(recepcionista): Are you here for the Doga Dance?
(nós): no, just to have a look!
Bem, cuscámos pelo vidro de uma porta (isto na cave da igreja, meus amigos!) e havia malta a bailar o corpo ao som de um música toda mística - era a tal Doga Dance (whatever that is). Os nossos olhos denunciaram a nossa curiosidade: um homem alto e loiro abriu a porta e perguntou se gostaríamos de participar. E eu e o zé: Yeah, why not. Enfim, quando dei por mim estava a dançar em agradecimento à Mother Nature. E seguimos um ritual de abraçar as plantinhas com uma fita: tudo pela Natureza=)
Caso para sublinhar: This is London e o inesperado acontece a cada esquina!!
Durante a semana que se seguiu ainda houve espaço para uma exposição ["Blood on Paper"] patente no VA Museum, com a sorridente e optimista companhia da Andréia; seguida da fantástica companhia da Sónia que me apresentou ao Neil's Yard em Convent Garden (many thanks!).
Este fim-de-semana eu, a joana e o zé trabalhámos no nosso projecto (top secret, como diz a própria joaninha). E depois deste project foi a vez de queimar os fins do dia em pubs - mesmo insight culture; não esquecendo a noitada em old street =)
E, agora, meus amigos, é a vez de Dublin, onde vou encontrar um amigo que não vejo há...14 anos:-o...ou seja, éramos criancinhas quando nos conhecemos, e trocamos cartas e nunca mais nos vimos...imaginem agora a música do ponto de encontro=) [e nada de filmes, o rapaz está praticamente casado!]
e, assim, acontece!
Monday, 12 May 2008
Friday, 9 May 2008
crónica lunar nº0
é na descendência do relógio que surges fera e fogo. que encarnas o verbo esfaquear e me entras pelo peito dentro e profundo. parece veneno de cobra. íman. apoderas-te deste corpo, sem pedir licença. és mal-educada. dás cabo do conteúdo deste corpo que sobrevive ao teu respirar. de tanto te gostar, chego a odiar-te. por isso, olha, quando te decidires arrumar-me em alguma prateleira do sótão, atira-me sem piedade. para que ali entre a poeira dos anos gastos e do amor defeito possa descansar e recolher-me no cheiro passado de duas vidas queimadas.
Tenho saudades tuas e olho para a lua para saber como estás e penso se ainda te recordarás de mim do mesmo modo; se ainda serei a cabeça pousada nos teus joelhos, quieta, calma, pela qual não te parecia possível passar qualquer maldade. eu avisei-te: sou um louco. alguém em quem não se pode confiar, do qual se deve sempre esperar tudo, o pior possível. tinha-to dito tanta vez, antes disso, com os olhos; disse-o, tenho a certeza, e só não ouviste porque não quiseste escutar. Talvez precisasses que as minhas palavras confirmassem aquilo que os meus olhos diziam. Foi isso ? E, nesse cao, de quem foi a culpa por termos feito tanto caminho? Tua, por não teres acreditado no que te dizia sem palavras, ou minha, por te não ter confirmado mais cedo as suspeitas? Dos dois ? É possível.
Manuel Jorge Marmelo, O Amor É Para Os Parvos
Manuel Jorge Marmelo, O Amor É Para Os Parvos
Thursday, 8 May 2008
Tuesday, 6 May 2008
Nas veias da cidade corre o sol, correm os vestidos abertos, as mangas curtas, o Maio dos amores. Londres mudou de vestuário e de maquilhagem [já não era sem tempo]. Os videos que se seguem provam o domingo bem passado em southbank.
[a edição aproxima-se do Blair Witch Project. acho que foi a emoção do calor]
Friday, 2 May 2008
M
Os olhos fazem-me lembrar um aquário nú, despido, onde nadam peixes pequeninos. As faces rosadas atiram-me alegremente aos dias de uma infância feliz. Os cabelos chegam-me ao coração de macios. As mãos sacodem todas as inseguranças. O semblante é cristal. Nas veias aceleram amores destemidos por uma família unida e feliz. Abençoada.
Gosto do riso infantil. Da graça dos ombros a dançar ao ritmo da gargalhada. Da arte de fazer tapetes. De fazer arroz. A carne. O peixe. Tudo o que tiver que ser feito. A visão de ajeitar o lençol branco numa armadilha só sua. Do pé a espreitar o quarto, fora da cama. Da reflexão no espelho a contar-lhe os anos. Da timidez nos passos. A sinceridade de um olhar maduro. Da pureza das palavras, da honestidade a soprar-lhe da boca. Aprecio a agenda da vida. Da semente que plantou. Aprecio como dobrou a vida como se dobra um guardanapo limpo, pronto a ser posto na mesa -com delicadeza. Sobretudo, aprecio os valores humanos que abraça no regaço todos os dias de manhã - de sol a sol. É Mulher. Sabe ser Mulher. Porque ri, sorri, chora, abraça a vida, luta todos os dias, sem quebrar, com alma, com sabedoria que ganhou da vida, contra ventos fortes ou astros mal colocados. Mas por saber ser, por ser, por ser essência, e por acreditar, consegue ver o melhor no reflexo do lago de todos os dias. Porque a beleza que lhe nasceu nos olhos é um 8 - infinita.
Falo da minha Mãe. E é pouco. Não há idioma que contorne a complexidade de tanta beleza, que possa descrever tamanho quadro de uma pintura impressionista.
Amo-te minha Mãe. Por tudo. Porque és uma Mulher linda. Porque és uma Mãe maravilhosa. Uma Mulher de família excelente. Uma amiga e companheira de todas as horas. E um ser humano embrulhado em raios de sol. Obrigada. Obrigada por hoje poder escrever-te este texto. Obrigada pelas oportunidades. Bilhetes na cama. Pequenos-almoços partilhados. Cafés de confissão. Dos abraços de perdão. Dos beijos de saudade. Da palavra de confiança. Obrigada por seres muito minha. Obrigada pelo nosso puzzle: eu, tu, o pai e o mano. Os mosqueteiros.
[bem sei que o dia da Mãe é só amanhã. mas a vida londrina não permite estes sopros ao nosso tempo e passo]
Gosto do riso infantil. Da graça dos ombros a dançar ao ritmo da gargalhada. Da arte de fazer tapetes. De fazer arroz. A carne. O peixe. Tudo o que tiver que ser feito. A visão de ajeitar o lençol branco numa armadilha só sua. Do pé a espreitar o quarto, fora da cama. Da reflexão no espelho a contar-lhe os anos. Da timidez nos passos. A sinceridade de um olhar maduro. Da pureza das palavras, da honestidade a soprar-lhe da boca. Aprecio a agenda da vida. Da semente que plantou. Aprecio como dobrou a vida como se dobra um guardanapo limpo, pronto a ser posto na mesa -com delicadeza. Sobretudo, aprecio os valores humanos que abraça no regaço todos os dias de manhã - de sol a sol. É Mulher. Sabe ser Mulher. Porque ri, sorri, chora, abraça a vida, luta todos os dias, sem quebrar, com alma, com sabedoria que ganhou da vida, contra ventos fortes ou astros mal colocados. Mas por saber ser, por ser, por ser essência, e por acreditar, consegue ver o melhor no reflexo do lago de todos os dias. Porque a beleza que lhe nasceu nos olhos é um 8 - infinita.
Falo da minha Mãe. E é pouco. Não há idioma que contorne a complexidade de tanta beleza, que possa descrever tamanho quadro de uma pintura impressionista.
Amo-te minha Mãe. Por tudo. Porque és uma Mulher linda. Porque és uma Mãe maravilhosa. Uma Mulher de família excelente. Uma amiga e companheira de todas as horas. E um ser humano embrulhado em raios de sol. Obrigada. Obrigada por hoje poder escrever-te este texto. Obrigada pelas oportunidades. Bilhetes na cama. Pequenos-almoços partilhados. Cafés de confissão. Dos abraços de perdão. Dos beijos de saudade. Da palavra de confiança. Obrigada por seres muito minha. Obrigada pelo nosso puzzle: eu, tu, o pai e o mano. Os mosqueteiros.
[bem sei que o dia da Mãe é só amanhã. mas a vida londrina não permite estes sopros ao nosso tempo e passo]
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