Saturday, 21 June 2008


Em qualquer aventura o que importa é partir e nunca chegar. É mais ou menos isto que nos diz um dos poemas de Torga. E é isto que importo para mim mesma. Partir. Um verbo que tenho conjugado nestas duas (e meia e um bocadinho, vá lá) décadas de vida. Parti para Londres, e agora parto de Londres. E esta cidade é bastante vaidosa para me permitir viver por aqui: não deixa espaço para competir. Parto em busca do poema da minha vida. E tem sido assim: um sonhar constante, atravessando sinais proibidos, arriscando o risco. Em prol do poema da minha vida: Fui para os bosques viver deliberadamente. Queria viver profundamente e sugar o tutano da vida. E, não, quando morrer, descobrir que não vivi [in Clube dos Poetas Mortos]. Foi quando entendi o significado desta frase que deixei de atender ao barulho vizinho de (alguns) conselhos e ouvir o meu próprio ruído na ânsia do Amor pela Vida.
Gosto de Londres e gostei da sua aventura. Gosto de piccadilly, gosto da catedral de s.paul a piscar-me o olho quando caminho em direcção à universidade, do cemitério escondido frente ao restaurante, onde trabalhei e que ninguém nota, gosto do restaurante onde trabalhei, porque conheci pessoas simpáticas e diferentes, gosto da melodia dos sapatos numa orquestra afinada, que mais nenhuma cidade tem, gosto de Londres ser um poço sem fundo e me dar vertigens, gosto do ritmo e produtividade, dos mercados, gosto de camden e das cusquices da Amy no London Paper, gosto da sommerset house, gosto do rio e greenwitch, gosto dos pubs, não gosto que sejam avessos a música alegre, gosto das meninas meio despedidas a correr pelas noites frias, e sobretudo, quando diziamos mal delas, e elas não sabiam, gosto das 'largers', gosto dos phones no ouvido e caminhar até ao British Museum, gosto da Cultura, da simpatia nos olhares, não gosto da hipocrisia, e vi muita em Londres, gosto de suar no metro e reter a respiração, gosto de não ter que almoçar, gosto da segurança que se sente, apesar de meio mundo dizer que não, gosto do medo das pessoas quanto a mochilas perdidas, gosto deste blog e dos blogs dos meus amigos, gosto de todos os museus, gosto do nevoeiro, não gosto da chuva, e não gosto do nevoeiro em Maio e Junho, gosto das casas, da música, gosto do Estrela e falar sobre "ir ao poste" e dos sete milhões de habitantes, gosto de paninis, gosto da malta a beber às seis da tarde pós-trabalho, gosto de ver toda a gente a ler jornais e a comentar as notícias, gosto da BBC, gosto da rádio em inglês, mas sobretudo gosto do Mike, e da Niamh, e do Rustam, e do Delroy, e do Zé, e da Andreia, e da Sónia, e do Vasco,e sua Maria, e da Ana, e da Jojo, e da outra Ana, e da tate modern, e de atravessar a ponte até à tate modern e sentir um vento que sopra desde o london eye e só termina além da towe bridge. E sei que gosto disto tudo porque já sinto o esboço da saudade a varrer-me o peito.

Gostei, a sério. Mas também gosto...

do meu planeta b612, por isso, acompanhem-me em www.planetab612.blogspot.com

A minha London Collection já faz parte do meu planeta, e de vez em vez, venho até aqui, até vocês em jeito de brisa tuga=)

Até Setembro e até sempre,
Joana

Thursday, 19 June 2008

a História é um ciclo vicioso

Como diz a minha amiga Ana, historiadora, a História é um ciclo vicioso, e segundo a mesma, a crise dos anos 30 ou uma terceira Guerra Mundial pode fazer parte do baralho de cartas do destino da (nossa) História: e foi isto que se passou há momentos no Portugal-Alemanha. Portugal sempre em grande - nas estatísticas, na posse de bola, nos remates, na beleza do jogo. E a Alemanha sempre igual: azeda na beleza do jogo, mas certeira - e na bola o que interessa é que sejamos certeiros. Doí mas é a verdade, e se não fosse verdade, não doía!
É o nosso fado, é o nosso papel no globo: estar a marinar no quase, mas nunca lá chegar, por uma razão simples: somos um povo do fado. Chegar seria vitória e festejo, e nós somos um povo de lágrimas, fiel ao saudosismo. Chegar não é connosco. Nós é mais conquistar, na certeza, porém...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...


Álvaro de Campos

Wednesday, 18 June 2008

just for the record

Não, eu não vi o Vale e Azevedo!

I live with an iPhone

O meu amigo e flatmate Mike é o verdadeiro iPhone. Trabalhou dez anos para a apple, nos Estados Unidos (ele é americano e simpatizante do Obama=); a apple deveria continuar a pagar-lhe um salário pela paixão e publicidade que o homem lhe atribui.
Começou o seguinte "own business" em Londres:

http://www.macgp.co.uk/

Para quem tem macs e afins, este tipo repara tudo, soluciona tudo!...Spread the word...

Friday, 13 June 2008

diários [do que me dizem em sussuro as imagens]


Gosto de ti. Tudo o que quero é poder dizer-te que te gosto. Apenas. Sem conjugações de verbos, sem metáforas, sem pontuações. Quero apenas escrever, dizer, -te, que te gosto. Gosto muito de ti.
Hoje o meu desejo é sonhar-te. Entrar a dentro pelo teu coração para te conhecer, para te saber. Quero que entres com vontade no meu.


[Muitos dos meus amigos me têm dito que não conseguem comentar os meus textos, por serem isto mesmo: o que chamo de indisposições literárias - esta palavra será demais, chamemos-lhe, frásicas. Não sei se vos acontece: imagens que gemem. Deficiência minha, pela certa! Andar pela rua e se uns clicam na máquina, a mim, uma certa imagem, pára à minha frente, e geme. Diz-me estórias sorrateiras. Conta-me aventuras. Outras vezes, as palavras vêm ao meu encontro, acomodando-se na berma do ouvido "a fazer barulho". Relevem estas indisposições, que são apenas isso. Não têm verdade, nem mentira. É a minha cusquice pelo mundo invisível]

Wednesday, 11 June 2008

ai destino ai destino...

'Ele há cada uma':
Chego a Londres saí Mourinho. Vou embora, entra Scolari. E eu que estava a fazer uma excelente época=)


Habituei-me às legendas em inglês.

Sunday, 8 June 2008

tuga weekend festival

Foi um fim-de-semana, no qual sábado foi vermelho e domingo verde, e assim, se pintou a bandeira portuguesa em Londres. Primeiro com o jogo tuga contra a Turquia em mais um campeonato europeu de futebol. E depois com o festival nos jardins do Kennington Park para as celebrações do 10 de Junho. Trocado por miúdos: palco com música pimba, barracas com sardinhas, cerveja tuga e língua portuguesa. O sol foi um convidado especial=)
Não é s.joão, não é a festa do Porto, e nem tão-pouco é a Avenida dos Aliados em comemorações; é a festa do primeiro jogo de Portugal em mais uma edição do Euro-football, em Vauxhall,em Londres: os carros com as bandeirinhas verdes e vermelhas desfilaram pelas ruas britãnicasa buzinar. São estes os que verdadeiramente se sentem tugas e dão voz a Portugal - os das comunidades.
Este vídeo pode ferir a sensibilidade musical de muitos, por isso, merece bolinha no canto superior do ecran=)... e porque aparece o Zé com os seus óculos marroquinos...ups:-)

Wednesday, 4 June 2008



Ando viciada em Buarque, em Veloso, em Bethania, em Jobim, em Vinicius e todo o mundo Bossa Nova: com headsets colados ao ouvido, sem estarem colados ao ouvido, no pc, nos diálogos, na comida, no banho, nos sonhos, nos olhos, no blog, ...

Sunday, 1 June 2008

#untitled#2



O caminho de A. é uma pauta. A cada passo há um acorde que A. ouve. O estrondo do 'tok tok' no chão, do sapato no chão é uma melodia que acompanha o ritmo da cabeça, onde quer que a cabeça esteja sintonizada. É nessa fervura que se forma a bolha - aquela transparente que separa A. dos outros, do mundo palpável à sua volta. A realidade pode-lhe esbarrar, dar-lhe um encosto, que o "sorry" não vai ser ouvido. A. e o resto do mundo fecha-se nessa bolha invisível. No stress dos sonhos. Quanto tempo falta para A. fazer tudo o que sonhou e sonha. Cada sustenido da pauta é um ano gasto e cada bemol um grito apagado num sonho não concretizado. É essa bolha invisível que sufoca A., que o distrai das fotografias que lhe aparecem à frente com nomes pomposos, como Big Ben. A. embala-se neste ritmo. Ouve os próprios acordes, segue a pauta, olha para o chão e vê o céu; olha para o céu e vê o chão. Faz como num photoshop e muda as cores do mundo, clica em rewind, em forward - como lhe der mais jeito. É isso, uma questão de jeito. Às vezes anda mais depressa, outras mais devagar - quem manda é a pauta! Outras ainda, tudo é um alarido de notas e barulho e movimentos invisíveis no ar. E outras, as que custam mais idealizar num instrumento, aquelas notas que se calam, que dão à luz um 'ré' tão tímido (talvez porque não haja instrumento que aguente tamanha tortura). É quando A. olha para o relógio que a bolha rebenta, que a pauta dizima e as notas se espalham num asfalto molhado, acabando por apodrecer.

Friday, 30 May 2008



[Porto, 2007]

Ainda não percebi qual a indisposição que naquela tarde de Agosto [presumo] de 2007 me atacou. Perdi a noção do espaço, do tempo, do redor e do contexto. Pressionei o botão da máquina, e deste parto, aquilo resultou: é o céu, é o mar, é o chão? Não sei.

Wednesday, 28 May 2008

vi Nova Iorque por um canudo

Aquela luz ao fundo do túnel é Nova Iorque. Estacionaram na plataforma da Tower Bridge, em Londres, um mega telescópio, todo revolucionário, munido de uma técnica que foge ao senso-comum, onde se vê a Brooklyn Bridge em NI. Uma fila enorme de pessoas antecede a curiosidade. As pessoas de um e do outro lado do oceano podem espreitar-se, e até, imagine-se, erguer cartazes com mensagens - tudo em tempo real! Deu para perceber que enquanto o termómetro baixou valores em Londres, em Nova Iorque o sol também invadiu o "telectroscope".

Tuesday, 27 May 2008

crónica lunar nº1

Nas curvas das notas do piano ganhas balanço e saltas para dentro do meu coração, e por lá trovejas e baloiças e fazes palhaçadas. Acendes um, dois, três cigarros e deixas um fumo que me faz desmaiar. Perco os sentidos e o tino da vida. Desenho-me nesse fumo, tento aconchegar-te o mais que posso a este espaço e tempo sem cor, sem ângulo, sem forma. Estou completamente apegada ao teu silêncio de fumo, a essa tua estadia aqui dentro, ousada, às tuas falhas na mensalidade da renda, à tua desarrumação. Não foste tu. Fui eu que a criei.

Sunday, 25 May 2008

Bank Holliday

Afinal, os ingleses não são forretas. Os feriados pela Grande Londres são "festejados" na segunda-feira que se segue ao dia oficial do feriado em questão. Ou seja, dia 1 e 22 de Maio, dois feriados que no calendário marcavam quinta-feira foram adiados para a segunda-feira que se seguiu. Boa ideia para evitar aqueles feriados que calham nos Sábados e Domingos. E, claro, os museus e teatros preparam programas aliciantes para entreter a populaça: "cool bananas".

Saturday, 17 May 2008

[Dublin, 2008]

"E de súbito desaba o silêncio. É um silêncio sem ti, sem álamos, sem luas. Só nas minhas mãos ouço a música das tuas." [Eugénio de Andrade]

Tuesday, 13 May 2008

para o Ricardo e todos os seres humanos

Depois de algum tempo tu aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E tu aprendes que amar não significa apoiares-te, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos, e presentes não são promessas. E começas a aceitar as tuas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante,com a graça de um adulto, e não com a tristeza de uma criança. E aprendes a construir todas as tuas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos. E o futuro tem o costume de cair no meio do vão. Depois de um tempo tu aprendes que o sol queima se ficares exposto por muito tempo. E aprendes que não importa o quanto tu te importes, algumas pessoas simplesmente não se importam. E aceitas que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai ferir-te de vez em quando e tu precisas perdoá-la por isso. Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que tu podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás para o resto da vida. Aprendes que as verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tu tens na vida, mas quem tu tens na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprendes que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebes que o teu melhor amigo e tu podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobres que as pessoas com quem tu mais te importas na vida são-te tomadas muito depressa. Por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vemos. Aprendes que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começas a aprender que não te deves comparar com os outros, mas com o melhor que podes ser. Descobres que levas muito tempo para te tornares na pessoa que queres ser, e que o tempo é curto. Aprendes que não importa aonde já chegaste, mas para onde estás a ir. Mas se tu não sabes para onde estás a ir, qualquer lugar serve. Aprendes que, ou tu controlas as tuas acções ou elas te controlarão. E que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja um situação, existem sempre dois lados. Aprendes que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprendes que a paciência requer muita prática. Descobres que algumas vezes a pessoa que tu esperas que te chute quando tu cais é uma das poucas que te ajuda a levantar. Aprendes que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que tiveste e o que tu aprendeste com elas, do que com quantos aniversários já celebraste. Aprendes que há mais dos teus pais em ti do que tu supunhas. Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que os sonhos são uma parvoíce, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de seres cruel. Descobres que só porque alguém não te ama da forma que tu queres que te ame, não significa que esse alguém não te ame com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tu tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo. Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, tu serás em algum momento condenado. Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que tu o consertes. Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás, portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperares que alguém te traga flores. E tu aprendes que realmente podes suportar, que realmente és forte, e que podes ir muito mais longe mesmo depois de pensares que não podes mais. E que realmente a vida tem valor, e que tu tens valor diante da vida! As nossas dádivas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de o tentar.

William Shakespeare

Monday, 12 May 2008


Eu, o Zé, e a Joana ... e a tate moderna ... pelo olho e arte da jojo.
E, esta, heim!?
O meu corpo tem sido um espelho reflectido do sol: raios de sol. Gosto disso. Espalhar os meus átomos pela relva dos parques, raspar o pés nas flores [poor things] e cegar-me de tanto sol no meu campo de visão. Tem sido assim: o fary e os meus flatmates acompanham-me nesta Primavera, a par da Saramago, do João e da Ana, da Andréia, enfim, dos meus amigos de London Calling e mais os amigos dos amigos =) ... A semana passada, eu, o fary e os flatmates fomos para a casa do professor do Mike, em Elephant and Castle para "tomar conta" dos filhos-adolescentes, enquanto os pais relaxavam a sul de Londres. Acho que foram mais os miúdos a tomar conta de nós! Eu e o fary chegámos em primeiro lugar [já tínhamos espreitado uma exposição no British Museum] ao mini-palácio do Mike's teacher: a casa é enorme, ex-propriedade de um padre local, sediada junto a uma igreja. Como ninguém estava na casa, decidimos passear pelo parque, tirar fotografias, e esbarramos com um café (imagine-se!) na cave da própria igreja. Entramos:

(recepcionista): Are you here for the Doga Dance?
(nós): no, just to have a look!

Bem, cuscámos pelo vidro de uma porta (isto na cave da igreja, meus amigos!) e havia malta a bailar o corpo ao som de um música toda mística - era a tal Doga Dance (whatever that is). Os nossos olhos denunciaram a nossa curiosidade: um homem alto e loiro abriu a porta e perguntou se gostaríamos de participar. E eu e o zé: Yeah, why not. Enfim, quando dei por mim estava a dançar em agradecimento à Mother Nature. E seguimos um ritual de abraçar as plantinhas com uma fita: tudo pela Natureza=)

Caso para sublinhar: This is London e o inesperado acontece a cada esquina!!

Durante a semana que se seguiu ainda houve espaço para uma exposição ["Blood on Paper"] patente no VA Museum, com a sorridente e optimista companhia da Andréia; seguida da fantástica companhia da Sónia que me apresentou ao Neil's Yard em Convent Garden (many thanks!).

Este fim-de-semana eu, a joana e o zé trabalhámos no nosso projecto (top secret, como diz a própria joaninha). E depois deste project foi a vez de queimar os fins do dia em pubs - mesmo insight culture; não esquecendo a noitada em old street =)

E, agora, meus amigos, é a vez de Dublin, onde vou encontrar um amigo que não vejo há...14 anos:-o...ou seja, éramos criancinhas quando nos conhecemos, e trocamos cartas e nunca mais nos vimos...imaginem agora a música do ponto de encontro=) [e nada de filmes, o rapaz está praticamente casado!]

e, assim, acontece!

Friday, 9 May 2008

crónica lunar nº0

é na descendência do relógio que surges fera e fogo. que encarnas o verbo esfaquear e me entras pelo peito dentro e profundo. parece veneno de cobra. íman. apoderas-te deste corpo, sem pedir licença. és mal-educada. dás cabo do conteúdo deste corpo que sobrevive ao teu respirar. de tanto te gostar, chego a odiar-te. por isso, olha, quando te decidires arrumar-me em alguma prateleira do sótão, atira-me sem piedade. para que ali entre a poeira dos anos gastos e do amor defeito possa descansar e recolher-me no cheiro passado de duas vidas queimadas.
Are you from Portuguese?
No, I am from Portugal.

Are you Portugal?
No, I am Portuguese.

[mas esta gente anda toda com os copos]